Livraria dos finais felizes

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A livraria dos finais felizes – Colleen Hoover

Eu sou uma pessoa que compra poucos livros por ano. Meia dúzia, no máximo. Mas vivo baixando, gratuitamente, desde Elena Ferrante até Tolkien (não é legar ler Tolkien em e-book, tem muita informação, gráfica inclusive, não dá pra ficar indo e voltando o tempo todo) em um site que muita gente conhece mas não vou citar. Assim, arrisco ler muita coisa sem nenhuma recomendação, só porque está lá e a sinopse agrada.

A livraria dos finais felizes foi resultado desses downloads quase aleatórios para meu kobo. E curti. É fofo, o que em geral não é meu estilo, mas quem nunca? E depois, quis dar um tempo de gente louca e assassinos cruéis.

Sara, uma jovem sueca que trabalha em uma livraria em seu país natal, leva uma vida monótona cujas maiores emoções lhes são trazidas pelas páginas dos livros que lê. Ela mantém uma amizade por correspondência com uma senhora (não fica explícita a idade dela, eu pelo menos não percebi, 72? 60? 48?) que vive no interior dos Estados Unidos e também é apaixonada por livros. Contrariando a opinião das poucas pessoas com quem tem um relacionamento mais próximo (seus pais castradores), ela decide, depois de ser demitida, usar suas economias para passar algumas semanas, ou melhor, dois meses, na casa da amiga. Moça tímida, que nunca viajava sozinha (o que as pessoas que não são arrimo de família fazem com seu dinheiro, meodeosdoceo, me pergunto), ela chega naquele fim de mundo do meio oeste e descobre que a amiga, Amy, tinha morrido.

Claro que sua primeira vontade é voltar para casa. Mas ela sente que, na Suécia, está em um beco sem saída. E depois, a rede de relacionamentos local, da qual Amy era uma peça mais do que importante, acaba enredando-a aos poucos. Ela, que nunca se sentira apreciada ou necessária, acaba fazendo parte desta rede, tanto porque ela acaba tomando iniciativas surpreendentes como porque… ah, essa vida de interior. Bom, pra quem compra essa ideia, ok. Mas nem tudo são rosas, mesmo, e preconceitos (raciais inclusive), convenções sociais e hipocrisia também fazem parte do jogo. Sem falar que a tal cidadezinha foi basicamente devastada pela Crise e ninguém tem nem emprego e nem dinheiro.

Ao longo da história, Amy passa a se perceber como uma pessoa que merece a felicidade, afinal, na sua própria vida, para além das histórias que lia. A autora não desmerece, de forma alguma, nem livros e nem quem tem o hábito de lê-los, ao contrário. Sara se vê, apaixonada por livros, em uma cidade que praticamente se recusa a ler. Na medida em que ela mesma aprende a agir e a agenciar em prol da sua felicidade, leva para todos a sua volta a capacidade de empatia através das histórias que os livros contam. Se as pessoas a fazem sentir-se amada, Sara por sua vez dá de presente  seus novos amigos aventuras e novidades.

Meninas, eu li…

Tem uns momentos que escorregam no brega. Sim, lamento, mas tem. Um deles é a história de Caroline. Não como  ela termina (que é bacana) mas a história da personagem em si. Não sei, talvez mulheres de 44 anos no interior do meio oeste dos EUA pareçam mulheres de 62, mas lendo sua história, eu a imaginei como uma velha turrona. Ninguém sabe por lá que os 40 são os novos 30? Bom, mas é brega porque ela é uma “moça ferida” que foi traída por um rapaz na adolescência e nunca mais pegou ninguém. É, o interior tem dessas coisas e a trajetória dela, banalizada no curto espaço que o livro permitia, deixou esse arco meio brega.

Apesar disso, ela faz reflexões muito interessantes acerca do hábito que as pessoas têm de constituir família, e o que isso significa para elas. “As vezes Caroline achava que as mulheres casadas olhavam para ela como se fossem mais cristãs por terem começado uma família. Ou simplesmente não olhavam para ela, como se uma mulher que não tivesse encontrado um idiota qualquer para casar com ela não existisse.” É bacana que Caroline, apesar de durona, controladora e etc, não acabe se mostrando cheia de ressentimentos e arrependimentos pelas escolhas que fez. Ao contrário, mantém firmeza em relação ao desgosto diante das relações casamenteiras de sempre, e é legal quando ela descobre que existem outros tipos de relação… Talvez se as pessoas não fossem tão escrotas e não achassem tão bizarro uma mulher não querer casar e ter filhos ela nem fosse tão durona. Outra das suas pérolas: “afinal, o próprio Jesus podia ser considerado um hippie de cabelos longos que havia deixado os pais para viajar com uma grande família coletiva.” Demais.

Esse e outros aspectos deram um certo tom vintage à história, que não parece se passar nos dias de hoje. Mas também é legal ver uma história sem a onipresença abusiva de celulares e que tais.

Para ler bebendo…

Já disse que algumas cervejas da Mistura Clássica estão entre as minhas favoritas ever. A Matilda não chega a ser top 3 mas se não fosse boa eu nem a mencionaria. É uma Weiss clássica (de trigo, não filtrada), com os esperados toques de cravo e banana. Pouco alcoólica, pouco amarga, um tiro seguro, digamos assim, mas não por isso menos interessante.

Já que falamos de Isteites, recomendo conhecer também a s cervejas da famosinha Goose. A maldita Ambev, que parece que comprou a maioria das ações, andou lançando alguns rótulos. Dá uma olhada.

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