Escale a montanha para que possa ver o mundo, não para que o mundo possa te ver

 

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Suba a montanha não para fixar a sua bandeira, mas para abraçar o desafio, desfrutar do ar e usufruir da paisagem. Escale-a para que possa ver o mundo, não para que o mundo possa te ver.David McCullough Jr.

Detesto ficar recriminando os outros. Sério, sou uma pessoa muito ácida e crítica, mas adquiri o costume de guardar essas coisas para mim e para os pobres coitados que convivem comigo.

Mas olha. Tem gente demais ocupando espaço nesse planeta. As vezes imagino que essa é uma das razões para as pessoas se deslocarem tanto, ver uma multidão nova.

O turismo é uma das atividades mais pujantes (olha que palavra insólita!) da contemporaneidade. Hordas de seres humanos se espalham pelo planeta como gafanhotos vorazes, alimentando-se de esperança, sol, neve, quadros famosos, trilhas, ruínas, moda, e claro, comida. Não vou falar mal de quem viaja e não vê nada a não ser através de lentes, ou vai pra Grécia e fica comendo no MacDonald’s.

Mas observo. O tempo que as pessoas gastam com sua própria imagem. É muito bizarro. Se viajar é sair de si, essa galera que passa metade do tempo postando selfie e fazendo filminhos nos quais ela é o centro e (sei lá) as pirâmides do Egito são pano de fundo, desculpe, está emperrando o processo. Qual processo?

O sair de si. Importar-se menos com a pessoa que você sempre é. Aquilo que falamos aqui. Essas coisas.

Mas gentes, essas pessoas não cansam nunca da própria imagem? Se pudessem dizer com segurança que nunca cansam de si, seria até legal. Mas não. O que elas buscam é apenas sua própria imagem “melhorada” (bicos de pato e filtros são imprescindíveis), talvez até porque nunca olhem pra dentro de si mesmos. Qual é a dessa experiência, que precisa ser corroborada pelo olhar do outro?

O escritor ali em cima disse tudo: será que dá pra sentir o ar novo entrando nos pulmões, será que dá pra pisar em terra inaudita, será que nossos olhos vão reconhecer a maravilha de cores e formas inéditas se estivermos tão preocupados em mostrar ao mundo (depois de filtros e bicos de pato) a paisagem que deveríamos conhecer?

 

 

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