Gritos no silêncio

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Angela Marsons e os Gritos no silêncio

Histórias de suspense e terror que envolvem cagadas homéricas feitas por um bando de gente que jurou guardar segredos e anos depois se vê assombrado por suas ações (e vítimas) são recorrentes tanto no cinema como na literatura. Eu sei o que vocês fizeram no verão passado é um bom exemplo, e aqueles filmes japoneses de horror cujo nome sempre esqueço, também.

Pra quem curte romances do gênero, como eu, Gritos no silêncio diverte sem compromisso. Uma década atrás, em um reformatório juvenil para meninas, um crime horroroso acontece e é encoberto por um grupo de pessoas. O reformatório pega fogo, todos se dispersam (jovens e funcionários) e anos depois uma mulher aparece morta em sua banheira. Logo ficamos sabendo que a mulher havia trabalhado no tal reformatório. Assim começa o desenrolar da trama.

Que é legal, bem montada, redonda. Sem muitos exageros nem pontas soltas. Tem os policiais que investigam a série de crimes e que aos poucos desenrolam um novelo insuspeito, liderados pela personagem mais chata que vi nos últimos anos no gênero. Kim Stone (nossa, o nome já diz a que veio, Stone…) é durona, não ri, não ama, não bebe, não gosta de cachorro, desrespeita todas as regras e ainda assim é mega respeitada por todos e jamais vai pro olho da rua, porque afinal, ela traz resultados (gente, que comum isso em programas de TV e em livros de polícia e bandido, não?). Achei a personagem muito lugar comum. Sem charme nenhum. Mas virou protagonista de uma série, veja só.

Outra coisa chata é o serial killer. Na verdade, a sua presença ocasional enquanto narrador. Cara, pra você conseguir desvelar os pensamentos e “emoções” de um sociopata, é preciso um talento que aqui não se encontra presente. Fica bobo. Tipo, oh, eu não espanquei meu coleguinha porque eu estava sentindo falta da minha avó, ou porque carecia de atenção, foi só porque ele não me deu o sanduíche, será que as pessoas não entendem isso? A cabeça de um sociopata deve ser algo, então para entrar nela, e descrever o que se passa… não é pra qualquer um.

Meninas eu li…

Eu aplaudo e sempre aplaudirei mulheres protagonistas, porque ainda estamos quilômetros atrás, tanto na vida real quanto na produção cultural, em termos de presença e poder decisório. A mera presença de uma mulher forte e em posição de autoridade funciona de forma didática, para mostrar às meninas que elas podem tudo. Podem inclusive ser chatas e escrotas, e como Kim Stone é chata.

Existe uma recorrente atitude diante de mulheres fortes e em posição de comando: masculinizá-las, ou transformá-las em mulheres frias e traumatizadas. Tipo, sua força é uma armadura criada por conta de um passado triste ou violento. É o caso da Dona Pedra.

Não gosto disso. Ultrapassado, só para começar. Kay Scarpetta funciona muito melhor como mulher forte e poderosa mas que não precisa se esconder de nada. Mulher Maravilha (do filme de 2017) idem.

Ela não consegue ter relacionamentos sérios (jura?) e nem demonstrar um por cento do que sente. Teve uma infância traumatizada pela mãe maluca e assassina, mas há formas de tratar desse tipo de trauma sem cair no lugar comum, vide (outro exemplo) Maura Isles.

Impliquei com a moça, eu sei, mas me diverti com o livro e vou dar mais uma chance, lendo mais uns 2 livros da série.

Para ler bebendo…

Eu ia indicar uma cerveja apenas OK mas que dá para beber numa boa, mas achei sacanagem então mudei de ideia. Tipo uma Heineken. Pronto, falei.

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