“Fera” para adolescentes

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Fera: Brie Spangler

Dylan tem 15 anos e uns dois metros de altura. Peludo, recebeu dos colegas mui amigos da escola o apelido Fera (X-Men, caso se perguntem). Mora sozinho com a mãe, que batalha diariamente com as contas, e é super inteligente. Bla bla bla, essa vida de adolescente norte-americano que mora fora do polígono Boston-New York-Chicago-Los Angeles: se não é um fim de mundo, Portland está longe de ser um grande centro.

Dylan não tem muitos amigos, mas tem um amigo de infância com quem tem um relacionamento ambíguo. JP é babaca mesmo, mas Dylan também faz suas cacas, e uma delas abre o livro e faz com que sua mãe o mande fazer terapia. Terapia de grupo. Com adolescentes problemáticos. Não consigo imaginar melhor meio de ganhar a vida.

Na terapia ele conhece uma moça da mesma idade, Jamie. Porque ele é um sem noção com a capacidade de atenção de uma criança de cinco anos, ele não percebe a razão que a leva a estar ali, na terapia de grupo. Na verdade, ele não escuta muita coisa além da sua própria voz, e não chega a voltar a terapia.

Ele começa a sair com Jamie, que é “diferente,” pois além de bela, é esperta, tem senso de humor, é “artística”, em um relacionamento meio estabanado e cheio de provocações. Mas ele não percebe que ela, na verdade, nasceu menino e fisiologicamente falando, ainda o é.  Apaixonado e atraído por ela, Dylan cai das nuvens (e, de quebra, leva a menina ao inferno) quando descobre, da pior forma possível (bom, podia ser pior, e o filme dos anos 1990, Traídos pelo Desejo, mostra que podia ser mesmo bem pior), que Jamie não é uma garota como ele esperava.

A história dá umas voltas, tem aquele lance todo de high school norte americana que não me move, mas no geral é um livro sincero, real, e muito necessário em dias de ódio ao diferente.

Meninas, eu li

Identidades de gênero possuem uma complexidade inalcançável por romances adolescentes.  A discussão é complicada, antropológica, política, biológica, ecológica, etc.

Não, não é simples dizer: sou uma mulher que nasceu em corpo de homem, ergo, sou mulher e ponto final. Não funciona assim e eu inclusive acho que estas afirmações, caras aos transgêneros, escamoteiam a discussão, muito mais profunda, acerca de se devemos ter gêneros ou não, ou, se devemos ter apenas dois gêneros. Etc. Recentemente a federação internacional de vôlei liberou a incorporação de jogadoras trans nas disputas oficiais. A medida foi duramente criticada por profissionais do vôlei, que alegavam que o corpo da atleta em questão era um corpo maior e que passou a maior parte da vida alimentado a base de testosterona.

A questão é cultural mas também é biológica, é mística. Como fica o Sagrado Feminino, conectado ao fluxo menstrual e aos hormônios femininos, as fases da lua e tudo aquilo que falam por aí? Eu honestamente não sei, mas sei que o mais importante, nessa discussão, não é saber quem de direito é homem ou mulher, mas o respeito que cada um deve ter as escolhas de terceiros em relação a forma com que se enxergam. Mas acho sim, que ir além das identidades binárias seria muito mais saudável. Mas, essa discussão não se encontra no centro das minhas preocupações e não me sinto abalizada.

Dylan, lógico, fica superconfuso quando descobre que Jamie ainda é, tecnicamente, menino. Está na fase de transição, tomando hormônios e tal, mas quando rola uma primeira pegação  mais intensa, Dylan se depara com um pênis e não sabe o que fazer com ele. Ele não é gay, não se sente atraído pela ideia de fazer sexo com um homem e todo o seu “aparelho”, sempre pensou que iria despir a parceira e encontrar ali embaixo o “equipamento” feminino, que é o que desperta seu desejo, mas olha só. A vida é cheia de surpresas e ele simplesmente é apaixonado pela pessoa que é Jamie.

Nunca é tão simples, de novo. Somos um aglomerado de coisas, a maior parte delas, estranha, incompreensível. Será que a atração permanece quando você vê que seu amado não vai interagir fisicamente com você da forma que você queria? Eu não sei. Mas acho a proposta do livro muito fofa, enfatizada pelo fato de nenhum dos personagens centrais ser idealizado: como diz a própria Jamie, todos temos que deixar de ser horríveis para conseguirmos ser felizes.

Para ler bebendo

Um livro para menores, cervejas sem álcool.

Suco de cevada é bom e faz bem a saúde, mas depende da marca. Tem a Paulaner Hefe Weissbier Alkoholfrei, da família do trigo (60%), que respeita a Lei de Pureza alemã e não possui aditivos químicos. Também da família do trigo, tem a Tap 3 da Scneider. É a minha favorita.

Entre as pilsen, destaque para a Jever Fun e a Bitburger Drive Sem Álcool. Em geral, elas possuem um teor de álcool baixíssimo mas não chega a zero, por isso é melhor conferir no rótulo.

 

 

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