Na estrada: uma cama onde cair

SyntekExifImageTitle
Hostel que fiquei em Berlim

Em viagens, eu já fiquei em barracas dos mais variados tamanhos, hotelecos de quinta, B&B, hostels (albergues), pensões, hotéis cinco estrelas, repúblicas. E já fiz couchsurfing.

Tudo depende do seu espírito, do lugar em que você está, das suas preferências. Óbvio. Eu pessoalmente não deixo de visitar um lugar porque não posso ficar no lugar perfeito. As vezes eu simplesmente não tenho escolha, eu vou e me viro lá, e já acabei em alguns pulgueiros por isso. Acontece, e como eu não sou do tipo de pessoa que sai de casa com tudo fechado, planejado, pago, bom, imprevistos acontecem, e também minha capacidade de adaptação acaba sendo mais exigida.

100_0773
Minha tenda no deserto do Saara

Já fiquei em barracas com armação de ferro e altura de um homem adulto, quando era criança e acampava com meus pais. Tinha até cômodos. Também já fiquei em barracas olímpicas, no deserto do Saara. Sério, uma parada muito chique, com banheiro de verdade, uma cama ENORME (dava para fazer uma suruba), aquecimento e que tais. Também já choveu na minha barraca e foi muito chato. Acampar tem dessas coisas. Mas as vezes, é a única solução. Uns 3 anos atrás fui na festa do Preto Velho no quilombo de São José da Serra, e só dava pra ir se ficasse acampado (é um fim de mundo e eu não tenho carro). Tem lugares que ou você vai para acampar ou simplesmente não vai. Trilhas e travessias são outro exemplo.

Primeira vez que fiquei em hostel foi quando viajei a Europa da primeira vez. Tinha terminado a faculdade e fui dar meu role com o dinheiro que tinha economizado uns anos. O role acabou virando uma estadia de um ano e tal. Mas enfim, nessa época (nossa, sou muito velha) tais estabelecimentos eram genericamente chamados Albergues da Juventude, e derivavam de uma rede que possuía os “albergues oficiais,” por assim dizer, considerados de melhor qualidade, mais seguros. Eram um pouco mais caros também, mas na era pré-internet, era uma forma segura de saber onde ficar, já que contavam com livros guia e etc. Fiz minha reserva aqui no Rio no escritório da organização (eu fico deprimida com a percepção da minha idade ao falar essas coisas) para umas 3 noites (Londres), depois das quais não pude mais ficar porque o hostel tava cheio e eu não tinha reservado outras noites. Fui “expulsa,” e fiquei sem ter para onde ir, mas a conselhos, fui parar na estação Victoria, onde um moleque com um leaflet me abriu as portas para os hostels mais legais. Sério, a galera do IYH (International Youth Hostelling) era muito chata (limpa e segura, mas chata e cheia de regras). Um dia eu conto minhas aventuras na Eurotower londrina dos anos 90.

Já tive ótimas experiências com hostels,  acho que só umas duas desagradáveis (tipo, banheiro sujo, quarto hiperpovoado), quase todas na Europa. Eu aconselho a ler avaliações online e evitar quartos com muitas camas (se puder, mais do que 4 é roubada, a não ser na baixa temporada, já fiquei em albergues com quarto de 4 camas só para mim).

Na categoria roubada, um quarto vagaba ao cubo que aluguei em Cusco (tipo, pessoa viaja sem reserva no ano novo e cai na primeira cama que encontra) me deixou marcada de percevejos (acho que eram, na verdade não tenho certeza porque lá só dormi 2 noites e as picadas só apareceram no terceiro dia, enquanto eu já estava fazendo a caminhada para a Cidade Sagrada), além de ser um lugar que nem água potável tinha para oferecer (dada ou vendida) e o banheiro só tinha água fria (para ser justa, água quente por lá era artigo de luxo).

Amei ficar em hotéis 3 estrelas (Patagônia) e 5 estrelas (Tunísia, onde também acampei no deserto). Na boa, não faço NENHUMA questão de boa acomodação, só preciso de um quarto com porta e uma cama. Banheiro pode até ser compartilhado. Mas que foi muito legal ser recebida por uma taça de espumante em uma sala com uma enorme janela envidraçada (com vista) foi sim. Também foi uma delícia chegar de uma passeio cansativo e ter uma cama cheirosa, grande e macia para mim, num quarto climatizado, e um banheiro tinindo e com água quente a vontade (e secador de cabelo, que quase não uso, mas enfim). Bom demais.

Couchsurfing tem suas vantagens porque você pode conhecer pessoas legais e economizar muita grana. Hoje em dia não faço mais, ouvi dizer que a comunidade se desvirtuou e inclusive a maioria dos perfis está inativa. Mas era uma proposta bacana, recuperar o sentido original de hospitalidade: parece que em determinados momentos e lugares da história, não era incomum oferecer guarida a viajantes que batessem na sua porta. No caso do couchsurfing, você oferecia um canto qualquer (o site contava com descrição das acomodações e perfil da pessoa, além de avaliações de hóspedes anteriores) pra pessoa ficar, e vice versa. Nada era obrigatório, ou seja, se você não tinha um canto para oferecer, podia pedir guarida do mesmo jeito.

Eu digo que é preciso um certo feeling para sentir se a parada vai dar certo, especialmente se você é mulher (como sempre). Nunca me vi em nenhuma saia justa e sempre fiz questão de trocar várias mensagens com o cara antes, ver perfil no Face e etc, e estudar com atenção seu perfil no site, mas claro que isso não garante nada. Na época em que eu fiz, vi apenas notícia acerca de dois predadores que tinham atacado moças da comunidade.

Bom, tenho muitas histórias acerca de cada uma dessas modalidades, mas esse texto só tem um objetivo: dizer que “variety is the spice of life,” e que o mais legal de viajar é para onde você vai, e não onde você dorme.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s