Viagens: não mete essa, vai…

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Uma foto óbvia de um lugar óbvio

 

Não mete essa… [Spoil alert: eu acho que todo o mundo tem que viajar do jeito que gosta. Eu amo viajar sozinha e meio sem rumo, me hospedando onde dá. O texto é pura sacanagem]

A quantidade de pessoas que adoram anunciar aos quatro ventos que só fazem viagem alternativa, e/ ou que só querem conhecer lugares que não estão cheios de turista a cada ano me espanta mais. Os xovens, desde que eu era uma, adoram isso. Levantam o focinho em desprezo pela Torre Eiffel, Machu Pichu, remblas espanholas e que tais. Viajam de mochila e se hospedam em hostels e acham a coisa mais alternativa do mundo. Tudo bem quando você tem 18 anos e tá descobrindo o mundo, mas passou dos 25 essa atitude já deu. Aliás, pra mim 25 anos é a data limite de qualquer atitude, se a gente definir atitude como uma encenação para o mundo acreditar que você é de um jeito que você acha certo ser (é, eu sei muito bem que estou alterando o sentido da palavra, mas é pra ficar mais prático e mais claro o que eu quero dizer).

Não sou turista, sou viajante. Os europeus e australianos são os que mais gostam de cantar essa presepada.

É mais do que louvável querer desbravar lugares pouco citados e frequentados, à margem da indústria do turismo. É compreensível querer conhecer o novo e desregrado, ir além do Corcovado e conhecer o Grumari, fazer uma trilha até a baía de Balos (Creta) em vez de subir no barco cheio de turista bebendo drinques caros. Conhecer outros sítios históricos que não estejam tão entulhados de gente quanto as pirâmides perto de Cairo.

É sensacional que, em vez de ficar em hotéis caros e impessoais, que alimentam uma indústria predatória (bom, qual não é), as pessoas escolham fazer couchsurfing, se hospedar em albergue.

Também faço tudo isso, ué. Mas não sou hipócrita e nem arrogante.

A indústria do turismo gera bilhões de dólares ao ano e é responsável por intensa degradação dos sítios que promovem (patrimônio natural, histórico ou cultural). Dá para entender o ressentimento que alguns guardam em relação aos turistas (atenção, não estou discutindo a atitude-turista, aquele babaca que perturba todo mundo, isso é um assunto a parte, aqui eu me refiro apenas ao que existe em relação à indústria do turismo, intrinsecamente). A já citada Machu Pichu (um lugar que amo) vem limitando o número de visitantes diários, dizem que Veneza está afundando mais rápido do que deveria em função da quantidade de gente, enfim, coisas assim. Sem falar na porquice que o ser humano faz questão de espalhar. Eu pessoalmente acho gente uma desgraça em qualquer lugar, mas entendo esse posicionamento de tentar se afastar de evitar as rotas mais batidas.

Mas acho ridículo (sério, ridículo), passar batido pelo Rio de Janeiro só porque todo o mundo vai. Aí a criatura vai direto pra Paraty, Búzios, etc e não dá nem um role na cidade só porque ela é um dos cartões postais mais famosos do mundo. Acho de uma cretinice sem fim, vem conhecer o outro lado do cartão, ou tentar entender porque é tão famoso. Tudo bem, tem gente que evita grandes cidades, esse lado eu super entendo. Tem gente que tem uma aversão real a multidão, também consigo entender. Mas tem uma galera que faz esse tipinho por outras razões. Pra ser o diferentão mesmo, ai como sou pioneiro. Acho chato.

Claro, também é muito chato fazer as coisas porque todo o mundo faz. Odeio excursão, fiz uma vez por necessidade mas não curto, não. Daí o cara não gosta de história mas vai no Neu Museumm porque tá no guia que ele baixou. Sei lá. Muito estranho.

A outra coisa é essa de turista versus viajantes. Lamento informar, somos quase todos turistas, com raras exceções. Estamos no fluxo e entramos no fluxo com recursos de outra esfera –  nosso trabalho cotidiano. Agora, não precisamos ser turistas predatórios, daqueles que tiram foto com criança pobre na favela ou macaquinho roubado da floresta. Daqueles que acham que seu destino é um quintal com o qual não precisam se preocupar nem um pouco _ nunca mais esqueço daquele nojento do Keith Richards jogando casca de banana da janela do hotel, tinha que ser inglês.

 

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