Sobre micos em Budapest

vistas noturnas do castelo de budapeste (1)

Ah, aqueles pequenos micos tão a gente… hoje em dia presto atenção em muitas coisas que podem nos induzir ao erro, e também tento ser o menos invasiva e mais respeitosa possível quando viajo. Não lembro a última vez que que eu paguei o tipo de mico que vou contar.

Alguns anos atrás fui a Budapeste e me hospedei em um hostel, dividindo o quarto com duas meninas (bem jovens, perdoai os jovens, Senhor) de Minas. Era meu último dia em Budapeste e eu já tinha dado meus rolês na área, aliás em gosto muito de Budapeste, acabei voltando no ano seguinte. Olha, não são os reis da simpatia, foi minha impressão em ambas as vezes, mas também tem gente que acha que é obrigação de quem “te serve” (vende bilhete de trem, sanduíche, cerveja, camiseta) dar mil sorrisos e beijar o chão que você pisa. Polidez é uma coisa, subserviência é outra.

Bom, as garotas estavam chateadíssimas porque tinham sido destratadas e ameaçadas no metrô por funcionários do mesmo. Em todas as estações em que andei, inclusive na que ficava mais próxima do nosso hostel (a Keleti), eu vi um quadro bem grande em inglês, alemão, russo e húngaro explicando como funcionava o sistema. É mais ou menos como o VLT, você compra o passe na bilheteria e valida nas máquinas, não tem catraca. Só que, ao contrário do VLT, o metrô de lá (e de outros países da Europa, em especial do Leste) tem uns fiscais toscos, que não têm educação nenhuma, não gostam de turista (é o que parece) e aplicam a multa mesmo. Que aliás, é uma fortuna.

As tais garotas foram pegas, porque esse povo é foda, é só dar mole que eles ficam pensando que se deram bem.  Chegaram, não viram catraca e nem fiscal, oba, passeio de graça. Não, mané. Presta atenção e desconfia das coisas que parecem não estar certas porque normalmente elas não estão mesmo. Elas tomaram uma puta dura, não lembro se tiveram que pagar a multa (acho que não) e vieram com o seguinte papinho lá no hostel: mas a gente não sabia onde tinha que pagar, a gente não sabia que tinha que comprar bilhete e validar, não vimos nada escrito.

Maluco, não tem como não ver as bilheterias, acharam que vendiam o quê, entrada de cinema, de futebol, cocaína? Olha que eu sou desligada, mas esse caô nem eu meteria. Mais: acho que os brasileiros se limitam muito em suas viagens porque é um povo que não sabe falar outra língua além de português e portunhol (tenho amigos que podiam ter ido até á Austrália mas ficam no reme reme da América Latina, Portugal, Espanha todo ano), e acho isso uma pena, porque com um pouco de dedicação, educação e jogo de cintura e gente sempre se vira (não falo por mim porque falo bem inglês e arrisco francês; mas também te digo que dialogar nessas línguas na Europa do Leste é bem improvável, então por lá a gente se vira mesmo).

Daí que as meninas ficaram xatiadinhas: um, porque tentaram dar uma de cego e não pagar a entrada, e dois, porque não tinha nenhum aviso escrito em uma língua que elas entendessem (português/ espanhol). Dá licença, fofa.

Coisa semelhante aconteceu com uma grande amiga minha, mas a situação foi mais desculpável (um pouco) porque aconteceu no bonde (igual VLT), e nas estações de bonde nem tem bilheteria e etc. Sei que eles a levaram até uma estação no fim do mundo, ela disse que não ia pagar nada porque não tinha dinheiro, eles, muito putos deixaram ela escapar com um boleto a ser pago em banco. Ela está devendo pra prefeitura de Budapeste até hoje.

Eu cá desconfio que esses caras embolsam a grana, sabe? Enfim, todo o mundo no erro (me desculpem se eu estiver enganada, mas tamanho teatro de intimidação e zelo, e tamanho ódio e frustração diante da dificuldade em arrancar trocados de turistas me parecem muito suspeitos).

Noves fora… gente, dá uma pesquisada básica, ou pergunta. Eu sempre pergunto, sempre, pois não sou boa em pesquisar. Desculpe, sou boa em pesquisar sim mas não faço muito isso quando viajo, então quando chego, tento me situar pra não pagar esses micos.

 

 

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