O mundo em cliques e lentes

algerie

Adoro fotografia. Claro, se não é sua primeira vez aqui, já dá para saber. E também viajar. De novo, claro. Mas eu tenho uma certa dificuldade em juntar as duas coisas, por incrível que pareça, pois a grande maioria das pessoas que gosta de viajar, gosta de fotografar, de preferência suas viagens.

Eu moro no Rio de Janeiro, uma das cidades mais fotogênicas do mundo. Não importa quantas fotos eu tire do Corcovado, ou da enseada de Botafogo, ou, ou, dificilmente será uma foto interessante, pois é só dar um google e lá virão umas centenas de fotos do mesmo lugar. Você precisa de bastante tempo para pensar e realizar uma foto de fato interessante em um lugar tão clicado. Precisa de tempo para pensar e trabalhar uma luz diferente, um ângulo diferente (ou seja, bater perna pela cidade). E quando eu viajo, eu fico pra lá de solta… não sou um gênio da fotografia, e não tenho todo o tempo do mundo para usar viajando por aí em busca do clique perfeito. Infelizmente. Talvez isso mude. Mas ainda não é o caso.

A maior parte dos lugares que a maioria de nós visita é frequentado por outros turistas. Vamos lá, não me venha com aquele papo de “só visito lugares que ninguém vai, sem turistas.” Não mete essa. Você pode e deve, muito, visitar também lugares menos badalados. Mas você vai ao Peru e não vai nem a Machu Pichu e nem a Cusco? Vai à Índia e não visita o Taj Mahal e nem dá uma olhadinha no Ganges? Vem ao Rio e não vai nem ao Cristo e nem ao Corcovado, ô diferentão? Vai a Roma e não visita nem o Coliseu e nem a Fontana de Trevi? Sei.

Às vezes temos que fazer algumas escolhas, claro. Mas o que quis dizer é que as vezes, para mim, não vale a pena fotografar em lugar muito concorrido. Vale mais a pena você passear pelas ruas das cidades e tirar fotos das lojas, das pessoas, dos edifícios, enfim, daquilo que for diferente do seu próprio dia a dia. Foto da Mona Lisa, da Torre de Londres, pra que? Bom, eu tô falando de fotografia como inspiração, e não como exercício de narcisismo. Eu  não perco tempo fotografando panorâmicas da Torre Eiffel. Baixe na internet, compre um postal, sei lá. Pode ser até frustrante tentar. Lembro-me que quando subi na Acrópole de Atenas pela primeira vez, acho que tirei umas 3 ou 4 fotos. Simplesmente não dá, e eu ODEIO gente desconhecida nas minhas fotos. Sem falar que destrói qualquer tentativa de composição. A não ser que o tema seja o turismo. Fiquei com vontade de voltar lá no inverno para fotografar em paz, buscar os tais ângulos e tal. Também lembro quando fui a Perito Moreno, na Patagônia argentina, as pessoas se amontoavam nos mirantes, era complicado, você acaba se cansando, se frustrando, e nem bem fotografa, e nem bem curte o momento.

E é por isso que muitas vezes eu acabo não registrando grandiosamente minhas viagens: eu curto o momento sem a lente na frente dos olhos. Por mais que eu tenha espírito de fotógrafa, e não de escriba visual (como as hordas de turistas japoneses que não conhecem o mundo que não seja através das objetivas), eu prefiro relaxar, respirar fundo e deixar que o ambiente domine as minhas emoções.

Comecei a fotografar antes que as máquinas digitais existissem. Bom, podiam existir mas a definição era baixa e nem o tamanho e nem o preço compensavam. Minha primeira câmera era uma Olimpus Pen, ela dobrava o número de poses do filme na máquina. Era da minha mãe, aliás, mega antiga. A gente tinha que escolher muito mais o que fotografar, claro, o preço da revelação e ampliação (sem falar no filme em si) tornava proibitiva uma tiragem de 2000 mil fotos por duas semanas de férias. Tinha gente que revelava a medida que ia passando de um país para outro (em alguns lugares, era bem mais barato que no Brasil), tinha gente que levava vários rolos de filme na mala até voltar para casa. Outros tempos.

Quando voltei a viajar de forma regular (alguns anos de dureza e questões pessoais me deixaram quase fora da estrada por bastante tempo, acho que saí do estado duas vezes em quase dez anos), voltei com uma digital Kodac compacta, mais barata e fácil de carregar. Passei uns anos com ela, agora levo minha Rebel mesmo (amo muito esse nome, hail Canon).

Já deixei de levar câmera em viagem, por esquecimento (sic).

O texto foi frustrante? Foi mal. Haverá outros sobre o tema, bem melhores. Mas acho legal registrar este ponto de vista, até para se evitar frustrações.

 

 

 

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